Na Estrela da Manhã, o respeito à mulher começa pela palavra
O desrespeito começa numa piada, num comentário, numa palavra, e costuma ir adiante. Dentro de nossa Ordem, respeitar a mulher faz parte do trabalho que cada homem faz sobre si mesmo.
A Augusta e Respeitável Loja Simbólica Estrela da Manhã nº 1630 tem, entre seus princípios e valores, um que poucas Lojas no Brasil colocam em primeiro plano: o respeito à mulher, entendido na Loja como parte da lapidação do próprio homem.
Para a Loja, esse respeito alcança as mães, as esposas, as filhas e as Cunhadas. Para o homem que ainda não formou família, vale para a mãe que o criou e para a mulher a quem ele deve respeito. A Ordem honra a família que cada homem escolheu, e honra igualmente quem ainda está a caminho de formá-la.
Onde o desrespeito começa
Os dados mais recentes sobre o tema no país mostram que o desrespeito à mulher raramente começa com uma agressão física.
Na quinta edição da pesquisa Visível e Invisível, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública com o Datafolha, divulgada em março de 2025, 37,5% das brasileiras relataram ter sofrido algum tipo de violência em doze meses, o que corresponde a cerca de 21,4 milhões de mulheres. A forma mais frequente foi a verbal: 31,4% disseram ter sido insultadas, humilhadas ou xingadas.
No outro extremo, o Brasil registrou 1.571 vítimas de feminicídio em 2025, o maior número da série histórica e o quarto recorde consecutivo, segundo o 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado em julho. Nos casos analisados pelo Fórum entre 2021 e 2024, oito em cada dez foram cometidos por companheiro ou ex-companheiro da vítima, e dois terços aconteceram dentro de casa.
Como a Loja lê esses números
A Estrela da Manhã não culpa a piada por um feminicídio, e deixa isso claro. A leitura da Loja é que a violência contra a mulher costuma seguir um caminho, e esse caminho começa na palavra: o desprezo que vira piada, a piada que vira xingamento, o xingamento que abre espaço para o resto.
Esse desprezo se forma em lugares onde homens conversam só entre si e se sentem à vontade, como a mesa do bar, o grupo de mensagens ou o vestiário. É ali que uma palavra atravessada vira costume. Por isso, para a Loja, o respeito também se mostra no que o homem deixa de consentir, nem com o riso, nem com o silêncio.
“A falta raramente parece ofensa. Costuma aparecer como piada, como comentário sobre a mulher que passou, como elogio ao corpo de quem não está presente. E é o riso dos outros que transforma o desvio de um em costume de todos.” Dos princípios da Estrela da Manhã
O que diferencia a Estrela da Manhã
Quem conhece o dia a dia da Maçonaria sabe que nem tudo acontece durante a sessão. Depois dos trabalhos vêm os momentos de descontração: o jantar, o copo d'água, a conversa entre Irmãos. É ali que, em muitos ambientes masculinos, e também em algumas Lojas, a piada sobre mulher costuma passar sem que ninguém estranhe.
Nem sempre o alvo é uma mulher qualquer. Às vezes é a Cunhada, como a Maçonaria chama a esposa do Irmão: um comentário sobre ela, uma brincadeira sobre o casamento, uma história contada quando ela não está presente. Quem fala costuma achar que é inofensivo. Para o homem casado, e para a mulher que ficou em casa, a conversa tem outro peso.
É nesse ponto que a Estrela da Manhã se diferencia. Na Loja, o respeito à mulher vale tanto para o momento solene da sessão quanto para a conversa depois dela, para o copo d'água e para qualquer reunião da Loja. Piada, comentário ou brincadeira que desrespeite uma mulher, e em especial a Cunhada, não tem lugar ali.
Para esta redação, é um cuidado que merece registro. Numa instituição que se apresenta como escola de virtudes, a Estrela da Manhã escolheu levar a sério uma virtude que muitas vezes é tratada como detalhe. Para a Loja, pensar na mulher é pensar na família do Irmão, na casa que ele construiu e em quem o espera quando a sessão termina.
O que a Loja entende por respeito
Para a Estrela da Manhã, respeitar a mulher é, concretamente:
- Não falar mal de mulher. De nenhuma, nem como desabafo, nem como brincadeira.
- Não fazer da Cunhada assunto. Nem da aparência, nem do jeito, nem da vida dela.
- Não falar mal da própria esposa diante de outros homens. É expor quem não está ali para se defender.
- Não rir da piada de mulher, de esposa, de sogra. Por mais conhecida que seja.
- Não chamar de elogio o comentário sobre o corpo de uma mulher. É a mesma ofensa, dita em voz mais baixa.
- Não comparar a companheira de alguém com outra mulher. Por mais leve que pareça.
- Não contar vantagem sobre mulheres. Conquista, intimidade, história de bar.
O respeito como lapidação
Na linguagem da Ordem, todo Maçom trabalha a própria Pedra Bruta: o material áspero que cada um traz consigo e que só ele pode desbastar. Para a Estrela da Manhã, o modo como um homem fala das mulheres, sobretudo quando elas não estão ouvindo, faz parte dessa pedra. Por isso a Loja trata o respeito à mulher como assunto de reflexão e de trabalho interior, e não apenas de boas maneiras.
A Maçonaria exige de quem pede ingresso que seja livre e de bons costumes. A Estrela da Manhã inclui, no que entende por bons costumes, o respeito à mulher. Para o homem casado que procura uma Loja, significa que a esposa dele será lembrada com respeito, presente ou ausente. Para a esposa de quem pensa em entrar, é a certeza de que a casa que o marido escolheu pensa assim.
Sobre esse princípio, a posição da Loja é firme: a Estrela da Manhã sempre estará ao lado das mulheres.
- Fórum Brasileiro de Segurança Pública e Datafolha: Visível e Invisível: a vitimização de mulheres no Brasil, 5ª edição, março de 2025. Repercutido por CartaCapital.
- Fórum Brasileiro de Segurança Pública: 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, julho de 2026. Repercutido por CNN Brasil, 23/07/2026.
- Fórum Brasileiro de Segurança Pública: Retrato dos Feminicídios no Brasil, nota técnica, março de 2026 (perfil dos casos de 2021 a 2024).






































